segunda-feira, 9 de outubro de 2017

trajetos

Já tive mais do que um blog ao mesmo tempo.
Morei em duas cidades diferentes ao mesmo tempo. Me senti cultivando mais do que uma família, mais do que uma relação, mais do que uma personalidade, talvez. Amadurecia enquanto me mantinha imatura. Confundia o uso dos pronomes possessivos para me referir à casa, molho de chaves, vizinhos, etc. Sentia que estava sempre de passagem. Que não pertencia, simplesmente. 
Também cultivei -não sem confusão e dificuldade- ao mesmo tempo modos diferentes de pensar, agir, e me relacionar de tal forma que me perdi em tantas confusões de mim. Durante muito tempo eu não me soube. Talvez eu nem me arriscasse, por exemplo, a responder um quizz do buzzfeed sobre mim mesma - tantas seriam as possibilidades de respostas corretas e falsas ao mesmo tempo, que me fariam falhar no teste.
Recentemente voltei a olhar para essas páginas e esses textos, dos dois blogs e, de alguma maneira, olhei pra essa duplicidade de vida em que estive durante alguns anos. Olhei para minhas próprias palavras, e de alguma forma muito interessante, me surpreendi e me admirei, mas principalmente: me reconheci. Percebi que eu estava lá. Desorganizada, descentrada, desestruturada. Mas estava todinha lá. Me senti moradora de mim. Nos recortes de textos, fragmentos de pensamentos, nas imagens e referências que usei. Nas casas que vivi, nos relacionamentos em que estive, nas crônicas todas que teci...era eu o tempo todo. E eu não mais me senti cindida, não mais me senti omissa de mim mesma. Eu não fui uma abstração, uma esquizofrenia, tampouco uma mentira. Olhei para os meus trajetos  tentando ter comigo o mesmo respeito e cuidado que eu teria com qualquer outro ser humano e percebi, felizmente, que eu faço sentido.
Sem muita elaboração, entrei nas configurações do blogger e, no tocante às duas contas diferentes que eu mantinha, importei conteúdos de uma para a outra, unificando as duas contas, ligando duas (das muitas) pontas de mim que deixei soltas por aí, sem apagar nada, sem edições, sem subtrações, apenas conexões.
Essa pessoa que fala de si, do que sente, do que pensa, que opina, expõe imagens, debates e declarações, ainda que controversas  (caso comparadas isoladamente, ignorando-se os contextos)... tudo isso sou eu. Todos esses textos, assim como minhas lembranças, posturas e ações são resultado e processo, ao mesmo tempo, da minha história de vida, que se enriquece cada dia um pouco mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diz ai!