quarta-feira, 27 de junho de 2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pra não variar.


Há dias em que não adianta forçar... Nem tudo "uma hora vai", nem tudo é só ficar insistindo e, felizmente ou não, nem sempre se trata apenas de boa vontade também.
Inspiração é tipo assim. Imaginação é mais ou menos isso. Não é como desemperrar janela, destrancar portas, pegar no sono ou gostar de cerveja. Nem tudo com uma dose de insistência, otimismo ou forçação de barra, acaba acontecendo.
Não é assim com a imaginação. Não é assim com a alma. Não é assim com tudo.
Há dias em que não adianta pensar em inovar, em revolucionar, em mudar.  Há dias que são cinzas. Nem todo dia sai o Sol. O Sol também descansa pra poder brilhar mais em dias seguintes... Para isso, há dias cinzas. 
Há dias em que algumas "manutenções" são necessárias, alguns recolhimentos também...
A inspiração não vem, o sono também não e simplesmente não se consegue escapar dos mesmos poemas, das mesmas canções, dos mesmos pensamentos. 
E apesar de quaisquer pesares, há dias em que os mesmos amores tornam-se os condutores que nos levam às mesmas dores, de nossos jardins roubam as mesmas flores... Há dias que em nossa própria casa,já não somos mais senhores...



Agora um pouco de Fernando Pessoa, pra não variar muito mesmo:

A minha vida é um barco abandonado 
Infiel, no ermo porto, ao seu destino. 
Por que não ergue ferro e segue o atino 
De navegar, casado com o seu fado? 

Ah! falta quem o lance ao mar, e alado 
Torne seu vulto em velas; peregrino 
Frescor de afastamento, no divino 
Amplexo da manhã, puro e salgado. 

Morto corpo da ação sem vontade 
Que o viva, vulto estéril de viver, 
Boiando à tona inútil da saudade. 

Os limos esverdeiam tua quilha, 
O vento embala-te sem te mover, 
E é para além do mar a ansiada Ilha. 

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Timoneiro

(...)
Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar
(...)
A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor
Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que ele faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz


Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
Como nem fosse levar ♪
(Paulinho da Viola)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Não tem título

Sim, sou eu. Mas não somente. E não é o outro, definitivamente.
Não é, também, o ócio. Apesar dos pesares, falta mesmo tempo pra fazer tudo que há de ser feito.
Então sabe-se lá a causa desses pensamentos. Invasores pensamentos. Daqueles que agridem, mas o fazem sutilmente, com lentidão elegante, que ora você sente e sofre, ora você esquece e se conforta, até que eles voltem e você também volva a sofrer.
Nem são as lágrimas que me faltam... Dessa vez elas até chegam aos olhos, só são impedidas de saltarem.
Nem são as palavras que se perdem. Elas sobram, se recriam, se ressignificam.
Possivelmente - e provavelmente - sejam os excessos.
Sempre transbordamos dúvidas e inseguranças que nos atravessam e nos impedem de organizar os pensamentos, que se excedem e, como já sabemos, nos invadem.
E não são os excessos de sempre. Mas são sempre os excessos.
Vai ver não haja, para os excessos, as exceções.