sexta-feira, 15 de setembro de 2017

nota aos desavisados

O amor é gerúndio.
Se transformando, se moldando, se afirmando e se negando. Se investe, desiste, se diverte.
Amor nunca é. Amor vai sendo...
Amor é dis-forme. E tem tantas formas.

Amor é sólido.
Firme e rígido na beleza, na contradição, na inquietude.
Apresenta uma solidez que grita e não se deixa passar.
Rocha exuberante cuja presença se faz notar.
Consistência tanta que se mostra mesmo a quem duvida de sua concretude.
É barreira pra solidão, acompanhante no sim e no não.

Amor é líquido.
Empresta as formas, curvas e movimentos do que lhe é continente.
Adapta-se ao contorno dos corpos. Espalha-se pelo ambiente.
De tanto ser acumulado em recipientes, pode transbordar.
Pode escorrer pelos dedos se confundirmos aprisionar com amar.
É viscosidade, leveza e textura. Tem sabores, odores, belezas.

Amor é gasoso.
Brinca com batimentos e ritmos que se encontram em abraços.
Em caso de saudades, dores e novidades pode gerar desarranjos e descompassos.
Expande-se quando em liberdade, preenchendo todos os espaços.
Talvez não seja por todos tocado ou visto.
Mas seus ventos sopram até mesmo para os desavisados, anunciando-lhes "eu existo".


(Este texto foi timidamente iniciado em 23 de abril de 2014, recebeu um tempinho de descanso e foi complementado em 15 de setembro de 2017).


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Não confundir, nem se enganar: exigir ser tratado como merecemos não é o mesmo que exigir ser tratados como queremos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

o que digo que sou, sim, mas submetido a um tanto de regra e normas que me sequestram a autonomia e me impedem de ir sendo.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O Papa mandou muito bem, a respeito da prisão dos mais jovens, dia desses. E acho que ainda rola, numa boa, de estender a fala dele a respeito dos jovens também para os que são ditos "loucos", "drogados", as travestis e tantos quantos forem os grupos marginalizados e excluídos da sociedade. Vítimas de medidas de higienização, isolamento e extermínio, essas pessoas vão sendo diariamente subtraídas do nosso convívio, e a sociedade vai gradativamente perdendo sua cor, seu brilho e a riqueza das suas diferenças. Muito bem afirmou o papa, em criticidade a essa inércia, preguiça, intolerância e comodismo: "a solução do cárcere é a coisa mais cômoda para esquecer aqueles que sofrem". Ta mais do que na hora de combater, resistir e dizer não a práticas, gestos e políticas que têm nascido do ódio e encontrado respaldo em argumentos pobres e cínicos.

Calar a boca dos "lóki"
 pois quem toma banho de ódio exala o aroma da morte.
(Criolo)

domingo, 15 de março de 2015

Muda o cheiro, muda o tom, muda o foco, muda o som.
Muda a ordem, muda o gosto, muda o ritmo e vem seu rosto.
Muda o gesto, muda o verso, muda tudo, fica o resto.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Eu já estava surda dos meus gritos, da sua ausência, da solidão, da dor aguda.
Você voltou. Voltou sua voz, voltou seu cheiro, voltou "nós".
Não mais surdez, não mais ausência, não mais dor, não mais solidão.
Agora fica. Não mais muda. Não mais falta. Não mais "não".

segunda-feira, 9 de março de 2015

Cada vez mais, e com mais frequência, e quase sempre... relacionar-se é desafiante. É difícil encarnar a mesma ética que sugerimos, que aconselhamos, que acreditamos... e estarmos satisfeitos. É difícil dar conta dos nossos desejos. Família, trabalho, estudos, namoro, amizades e solidão são conquistas difíceis de coexistirem assim... à nossa maneira, em função do nosso prazer, sem violentar o prazer e o exercício de liberdade dos outros.

É tão difícil...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

"Por quê, amor?" pode ser mais sábio que "por que amor?".
A questão do amor talvez seja aprendê-lo amando.