quarta-feira, 9 de julho de 2014

... as vezes ando só, trocando passos com a solidão
momentos que são meus, e que não abro mão...
(Ana Carolina ♥)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

uuuuuff

Foco!
seu foco te sufoca    
solidez é solidão
ofusca.
Foco
Seu-foco
Sufoco
...
 :x
 :X
...
.     ...        
ARTE...
         ar.. te          ..
...
...
ARTE!!
                AR          -         TE

-Respira-
... Ufa.


arte para não morrer de verdade

segunda-feira, 17 de março de 2014

frustrum

na integridade passional da ação
há algo que se rompe
uma paixão que se interrompe
pra que diga oi a frustração

frustrum: fragmentado, quebrado, sem unidade.

frustro,
 choro.
choro e demoro
frustro
acho injutsto
justo comigo
que por muito pouco
não só choro
não só frustro,
frustro e choro
e -que injusto! -
choro e demoro
  



segunda-feira, 10 de março de 2014

Sincronicidade

O livro dizia que "depois de atravessar o oceano na sua busca, depois de tê-lo confundido com a paixão nas carícias veementes de Rebeca, Pietro Crespi tinha encontrado o amor." Sentiu e pensou com empatia "que sorte a dele!". Os olhos descansaram do livro e circularam pelo vagão. Um casal, que já vinha dançando com graça pela estação, se beija. O casal ao lado repete o gesto, e se ali consigo seu amor estivesse, ela faria o mesmo.
Pode ser que o amor, mais do que o beijo, seja contagioso... Deve obedecer (ou quem sabe reger) a coisa da sincronicidade. Aqueles amantes a transportaram também para o amor que ela sente. E num momento simples que teve a sorte de viver dessa maneira, o personagem Pietro Crespi, cada um daqueles casais no vagão e ela viveram alguma sincronicidade. E o amor regendo e inundando sincronia na cidade...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

tem um silêncio nos lábios que grita sempre para ninguém, além de si,
um discreto veneno que se esconde ao ver a presa confiante que sorri.
essa voz latente e serena que se insiste em manter segredo;
esse grito-sufocado da garganta, atenta que não é calma! pode ser medo...

O Rappa, "A Minha Alma"



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

falando de amor

Estou falando de usar menos talheres, de escolher menos as roupas, de pentear menos o cabelo, de mudar o penteado, de andar descalços, sujar os pés na lama, construir castelos e fazer desenhos, rabiscos, declarações na areia. Estou falando de queimar o pé no chão quente do asfalto, de chorar a dor de perder, a dor de cotovelo, dor de dente, dor de viver, de chorar de rir. Falo de assistir mais vezes ao sol nascendo e se pondo, de deixar a chuva molhar, de escutar sobre a vida de um mendigo, de sorrir pra gente estranha, de falar mal na cara do vizinho, de reclamar do que indignar. Falo de contar piada pro porteiro, pendurar recado no elevador, usar mais vezes a escada, descer a ladeira escorregando de bunda num pedaço de papelão. Estou falando da orquestra conhecer o funk, da madame suar no samba, e gastar o salto no forró, e ainda, da favela cantarolar Caetano, Chico e dançar tanto ao som de Gilberto quanto de Preta Gil. Estou aqui falando sobre falar de amor em mesa de bar, em consultório médico, e de ir mais vezes ao bar, e, quem sabe, menos vezes ao médico. Estou falando de interromper algumas reuniões, de faltar em outras, de dar telefonemas inesperados, fazer visitas inesperadas, abraçar gente querida, ter por “querida” gente nunca antes vista, mostrar mais vezes o dedo do meio, falar mais palavrões, escutar música alta, dormir horas a fio depois de uma boa noitada, passar horas sem dormir aproveitando certo momento, como se não houvesse mais nada. Estou aqui falando de dar risada na frente do chefe, de dar a cara à tapa para a mãe e o pai no almoço de domingo, de dizer o que pensa ao melhor amigo e também ao inimigo, de ser sincero nos relacionamentos, de se jogar num relacionamento, ou de abrir mão deles se achar que não couber. Falo de ir a lugares inéditos, arriscar mais pelos processos, e menos pelos resultados e méritos, dançar mesmo sem haver música, cantar sozinho no meio da rua, pular de altas montanhas, dormir na grama,  expressar ciúmes, dor, mágoa. Estou falando de amor. De escrever uma carta de amor, de escrever um poema de amor, de fazer amor. Estou aqui falando de entrar em contato com a nossa imaginação, com nosso desejo, nosso sofrimento, com o fôlego todo que temos, e que querem nos fazer esquecer, querem nos fazer des-perceber.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

universo singular de clichês sinceros

"a gente é diferente mesmo...
e não tem que concordar com tudo"
a gente ama e as vezes não pensa.
enquanto o amor nos grita e não nos dispensa
e nem o silêncio do amor é mudo.

que lindo que a gente ama!
ama e não perde, quando ama, compartilha
ama e não divide, ama e não subtrai,
quando ama, a gente brilha
e quando a gente ouve, calam os "ais"

que lindo esse amor de excesso...
que nos cuida, liberta, mas também prende
que cria, educa, e na prisão, nos surpreende
amor que não falta e que nem compensa,
mas amor que excede, transborda, e faz até ofensa.

ah, esse amor sem condição...
que a gente cutuca, põe à prova, questiona
que a gente até duvida, mas ele não abandona
que vem amando a gente, desde antes do nascimento
que xinga, impede, reclama, mas ama até em sofrimento

esse amor que as vezes se engana,
mas que não emudece
esse amor que é de família,
amor que nunca perece.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

tempo


pra passar junto
pra discutir o mundo
pra fazer nascer
pra ver crescer
pra sentir medo
pra cochichar segredo
pra revelar desejo
o seu e o meu
e pra te enxergar assim
mais perto de mim

(texto de 15/09/2013)




terça-feira, 5 de novembro de 2013

imperativos

encontre motivos para saber o que quer por perto, pra viver o que gosta, e se inquietar. encontre emoções e desafie as razões do tempo, do ambiente e de tudo o que sobre você insistiram falar. convide o tempo para dançar, acelere os passos ao som da valsa e não tenha pressa, medo, nem vergonha de dançar descalça. se quiser, insista em dois-pra-lá/dois-pra-cá. escute os amigos, os amores. questione os inimigos e os rancores. as vezes é bom fazer faxina, jogar fora ou reciclar. vale a pena revisitar. conversar sobre vizinhos, educação, sexo, adoção. . pode se mexer, se arriscar. pé na nuvem, cabeça no chão. entenda que ainda vai se surpreender e se encantar com o que e com quem vai encontrar. converse com o desconhecido, estranhe o familiar. solte o choro contido, e ria até chorar. passe horas ao telefone, fale até o que pretendia silenciar. aproveita a companhia e durma para não ver a conversa acabar. se sentir saudade, em sonhos o encontro pode continuar. vale ainda estudar, investigar sobre o que gosta, e vale deixar pra depois quando o tédio chegar e o estudo ficar uma bosta. agradeça a oportunidade, a ansiedade e a paciência que se nos dá. seguindo ritmo próprio, sem tanta pressa, não há que se afobar. sei lá, se joga na vida, acho que ela não pode esperar.

sábado, 5 de outubro de 2013

torta maneira das Cuervo

dia de moby, era uma vez
uma larica fome, numa casa de três
o tempo era curto, a pressa era 'mucha'
alguém tem a ideia e então 'desembucha'

pra animar a quinta feira
nada melhor que uma torta maneira

receita de família, não pode ter erro
pode por a mesa
frango, carne ou calabresa
pega o que ver primeiro

pro recheio ficar ousadia e alegria
use milho, tomate ervilha e azeitona
calabresa triturada, vai na fé, minha filha
pode bater ouvindo um som de Madonna

preparar a massa não é um perigo
porque a gente é lerda e ficou um arrebento
ovos, óleo, leite, farinha de trigo
até queijo ralado pode por ai dentro

a massa é assim, molinha mesmo
a gente avisa pra galera não ficar assustada
antes de sair tacando na forma
certifique-se que a danada esteja untada =D

três nega descoordenada
montando a torta mega recheada
tire a mesquinharia do seu coração
e faça o favor de abusar do requeijão
a gente não é rica no estilo "Amaury" *
se tivesse dinheiro, a gente usava catupiry

depois que geral poe a mão na torta
e nem acredita na gracinha que ficou
30 minutinhos. põe a bendita no forno
e acaba com a fome que quase te matou

muito segredo a gente não precisa,
não tem choro, não tem vela, não tem dor
uma casa onde vivem três amigas
pra dar certo, só precisa de amor

então vai lá querida cambada,
faz a torta da nossa república
a gente jura juradinho, garotada
que ela vai rechear uma noite única.

*Amaury Jr., socialite nacionalmente conhecido 
por ter um orçamento bem melhor que o de um universitário perdido.